Lupa com símbolo de porcentagem sobre gráficos, ilustrando a comparação entre títulos prefixados e IPCA+

Inflação implícita: o número que diferencia prefixado de IPCA+

Equipe Graham

Equipe Graham

29 de junho de 20264 min de leitura

Você está diante de dois títulos de renda fixa do mesmo prazo. Um prefixado, pagando 11,4% ao ano. Um IPCA+, pagando inflação mais 5,5% ao ano. Os dois são renda fixa, os dois prometem uma taxa que parece boa, e você precisa escolher entre eles.

O problema é que essa escolha parece uma aposta na inflação futura. E ninguém consegue prever a inflação com precisão. Tem um agravante: os dois números nem estão na mesma unidade. Um é nominal puro (11,4%), o outro é uma taxa real somada a um índice que você ainda não conhece (IPCA + 5,5%). Comparar “11,4%” com “IPCA + 5,5%” é como comparar uma distância em quilômetros com outra em milhas sem fazer a conversão. Na falta de um jeito claro de comparar, a maioria acaba decidindo no feeling, ou simplesmente pelo número que parece maior.

Existe um jeito melhor, e ele cabe numa conta de uma linha.

O que é a inflação implícita

A diferença entre a taxa de um prefixado e a de um IPCA+ de mesmo prazo e mesmo emissor não é aleatória. Ela carrega embutida a expectativa de inflação que o mercado já precificou. Esse número embutido é a inflação implícita.

Pense assim: se o prefixado paga 11,4% nominal e o IPCA+ paga 5,5% real, existe uma taxa de inflação na qual os dois entregariam exatamente o mesmo retorno. Acima dela, o IPCA+ teria rendido mais. Abaixo dela, o prefixado teria rendido mais. Essa taxa de equilíbrio é a inflação implícita.

A conta que revela esse número é:

inflação implícita = (1 + taxa do prefixado) ÷ (1 + taxa real do IPCA+) − 1

Com os números do exemplo:

(1 + 0,114) ÷ (1 + 0,055) − 1 ≈ 0,056

Ou seja, uma inflação implícita de cerca de 5,6% ao ano. É a inflação média que o mercado está embutindo no preço desses dois títulos.

Aviso importante: os valores acima são ilustrativos, servem só para mostrar a mecânica. As taxas reais mudam todo dia, às vezes mais de uma vez no mesmo dia. Para fazer a conta com números atuais, você puxa as taxas vigentes no site do Tesouro Direto.

Por que esse número muda a forma de decidir

O ponto não é descobrir qual título comprar. É trocar uma pergunta impossível por uma pergunta respondível.

A pergunta impossível é: “qual vai ser a inflação nos próximos anos?”. Ninguém sabe.

A pergunta respondível é: “a minha expectativa de inflação está acima ou abaixo do número que o mercado já embutiu?”. Sobre essa, você consegue formar uma opinião.

A lógica que o próprio mercado usa é direta. Quem acredita que a inflação vai ficar abaixo da implícita tende a enxergar mais valor no prefixado. Quem espera inflação acima da implícita tende a enxergar mais valor no IPCA+. Isso não é uma recomendação de compra: é apenas a leitura que já está embutida no preço dos títulos. A decisão continua sendo sua, e depende da sua visão de inflação, que é você quem forma. Vale observar, inclusive, a expectativa de inflação do Copom (Comitê de Política Monetária), que costuma ficar abaixo da inflação implícita.

Onde isso vira trabalho na prática

Em teoria, a conta é simples. Na prática, manter esse número útil dá trabalho.

As taxas do Tesouro mudam o dia inteiro. A inflação implícita que você calculou de manhã pode não ser a mesma da tarde. Para comparar prefixado e IPCA+ de forma honesta, você precisa de taxas do mesmo prazo e do mesmo emissor, refazer a conta a cada par de vencimentos, e repetir o cálculo toda vez que as taxas se mexem. Se você ainda quiser comparar isso com um CDB ou uma debênture, multiplica o trabalho por cada emissor.

É um cálculo que depende de ferramenta, não de esforço. Fazer na mão, no Excel, puxando taxa por taxa de sites diferentes, costuma ser o caminho mais rápido para desistir no meio e voltar a decidir no feeling.

Como o Graham entra aqui

É nesse ponto que a inflação implícita deixa de ser uma conta manual e passa a aparecer pronta. Quando a sua carteira está consolidada e os dados são lidos ao vivo, esse número pode ser exibido sem que você precise abrir uma planilha e refazer a fórmula a cada oscilação. E o Arkad, a IA do Graham, explica em linguagem simples o que aquela inflação implícita está dizendo, para que a leitura não dependa de você lembrar a fórmula de cabeça.

O Graham organiza o dado e explica o conceito. Ele não diz qual título você deve comprar. Essa escolha depende da sua própria expectativa de inflação, e ela continua sendo sua. O que muda é que a decisão passa a ser informada por um número visível, em vez de um chute.

No fim, é disso que se trata. Não de adivinhar a inflação, mas de enxergar o que o mercado já está dizendo sobre ela, e então decidir.

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