Três aplicações empilhadas ultrapassando uma linha tracejada de limite, com a parte excedente em destaque

FGC: você sabe quanto tem no mesmo emissor somando todas as corretoras?

Equipe Graham

Equipe Graham

16 de outubro de 20266 min de leitura

Você comprou CDB em três corretoras diferentes achando que estava diversificando risco. Pode ser que estivesse. Pode ser que não. Depende de uma informação que nenhuma das três telas te mostra: quem emitiu cada título.

O FGC cobre até quanto?

Até R$ 250 mil por CPF por instituição ou conglomerado financeiro, somando todos os produtos cobertos que você tem naquele grupo, e incluindo os rendimentos acumulados até a data da liquidação. Há também um teto global de R$ 1 milhão por CPF a cada quatro anos, contados a partir do primeiro pagamento recebido.

Repare no que o limite acompanha: a instituição que emitiu o título. Não a corretora onde você comprou.

Diversificar corretora não é diversificar emissor

Aqui está a confusão que custa caro. Se você tem R$ 150 mil num CDB do banco A comprado pela corretora X, e mais R$ 200 mil num CDB do mesmo banco A comprado pela corretora Y, você não tem R$ 350 mil protegidos. Tem R$ 250 mil, e R$ 100 mil expostos.

A corretora é apenas a intermediária da compra. Para o FGC, o que importa é de quem é a dívida. E como a maioria dos investidores acompanha a carteira por corretora, e não por emissor, esse cálculo raramente é feito.

Bancos de nomes diferentes podem ser o mesmo limite

A regra vale por conglomerado financeiro, não por marca. Instituições que pertencem ao mesmo grupo econômico compartilham o teto de R$ 250 mil, porque o regulador enxerga os riscos delas como interligados.

Na prática, isso significa que você pode achar que aplicou em duas instituições distintas e estar, para efeito de garantia, na mesma. O Banco Central publica a lista de conglomerados prudenciais, e é ela que resolve a dúvida quando os nomes não deixam claro.

O que o FGC cobre e o que fica de fora

Cobertos: depósitos à vista, poupança, CDB, RDB, LCI, LCA, LC (letra de câmbio), LH (letra hipotecária) e operações compromissadas. A LCD, letra de crédito do desenvolvimento, entrou na lista pela Resolução BCB 441, de dezembro de 2024.

Fora da cobertura: Tesouro Direto, fundos de investimento, ações, ETFs, FIIs, debêntures, CRI, CRA, letras financeiras, LIG, COE e previdência privada (VGBL e PGBL).

Ficar de fora não significa estar desprotegido. O Tesouro Direto tem garantia do Tesouro Nacional, que é soberana. Ações, ETFs e FIIs ficam em custódia individualizada no seu CPF e não dependem da saúde financeira de quem intermediou. Fundos têm patrimônio segregado. São proteções de naturezas diferentes, cada uma com a sua lógica.

Dois detalhes que derrubam a conta

O rendimento conta. A garantia cobre o principal mais os juros acumulados até a data da liquidação. Uma aplicação feita em R$ 240 mil pode passar do teto sozinha, com o tempo, sem que você tenha aportado mais nada. Por isso vale olhar o saldo projetado no vencimento, não o valor que você colocou.

O teto global é acumulativo. Se você já acionou o FGC uma vez, o valor recebido abate do limite de R$ 1 milhão e o prazo de quatro anos começa a correr a partir daquele primeiro pagamento. Quem recebeu R$ 250 mil tem R$ 750 mil de cobertura restante até o prazo virar.

Como conferir a sua situação

  1. Liste por emissor, não por corretora. Abra cada aplicação de renda fixa que você tem e anote quem emitiu o título. Some por emissor.
  2. Cheque o conglomerado. Consulte se dois emissores da sua lista pertencem ao mesmo grupo. Se pertencerem, some os dois na mesma linha.
  3. Use o saldo projetado. Considere quanto cada aplicação valerá no vencimento, e não o valor aplicado hoje.

O Registrato, sistema do Banco Central, ajuda a conferir o que você tem cadastrado em instituições do sistema financeiro e é um bom ponto de partida para quem perdeu a conta.

O trabalho que ninguém faz

Essa conta parece simples e quase ninguém termina. Com a carteira em três ou quatro corretoras, ela exige abrir cada aplicativo, achar o emissor de cada título, projetar rendimento e só então somar. É muito esforço para uma informação que deveria estar pronta.

Quem não faz descobre a exposição real no pior momento possível, quando a garantia precisa ser acionada. Quem faz uma vez por ano sabe exatamente onde está dentro do limite e onde passou.

É esse o problema que o Graham resolve: reunir o que está espalhado entre corretoras em uma visão única, para que perguntas como essa tenham resposta sem exigir uma tarde inteira. Entre na lista de espera em graham.app.br. Se quiser entender antes o que acontece com cada tipo de investimento quando uma instituição quebra, leia o que acontece se a sua corretora quebrar.

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